Felipão e base do Palmeiras

Felipão e a categoria de base do Palmeiras

A mudança na comissão técnica no Palmeiras deve provocar mudanças no trabalho da equipe profissional e também abre novas possibilidades para os atletas juniores. Mas como é o Felipão em relação ao uso das categorias de base?

 

Felipão e a base do Palmeiras

Em sua última passagem no Palmeiras, entre junho de 2010 e setembro de 2012, Felipão foi muito crítico em relação a base do clube. As reclamações eram relacionadas, principalmente, a forma que os jogadores chegavam as categorias maiores, ainda repletos de erros de formação básicos.

Em uma oportunidade, o treinador apontou a dificuldade de Patrick Vieira, considerado a grande joia daquela geração, em finalizar com o pé direito.

“Não querendo desmerecer, mas é muito mais fácil aparecer na Copinha. Já dificulta se colocar no campeonato de juniores. Fica ainda pior se vem treinar no profissional. Agora ele está aprendendo a chutar de pé direito, nunca bateu de direito e vou colocar para enfrentar o Corinthians, Santos, Grêmio e Atlético-MG? Estou preparando o garoto, ele ainda não está pronto”.

Felipão também questionava a postura com que alguns atletas da base lidavam com as oportunidades de atuar pelo time profissional. Miguel Bianconi, atacante do time Sub-20 em 2011, não voltou das férias para integrar o elenco no Campeonato Paulista.

“O Miguel ganhou 30 dias de férias quando terminou a participação na Copa São Paulo de Juniores. No tempo da onça, quando diziam que haveria uma chance, eu iria voltar de onde eu estivesse para jogar. Agora a lei diz que o querido precisa ter 30 dias”.

Durante esta passagem do Palmeiras, Gabriel Silva foi o jogador da base que mais teve espaço com Felipão. O lateral esquerdo era titular com o treinador e foi negociado com a Udinese por € 3,8 milhões. Patrik e Vinicius foram outros jovens que tiveram vários minutos sobre comando do treinador.

Em 2011, por exemplo, essa foi a distribuição de jogos de atletas da base do Palmeiras:

  • Patrik – 50 jogos
  • Gabriel Silva – 29 jogos
  • Vinicius – 16 jogos
  • Miguel – 3 jogos
  • Bruno Turco – 3 jogos
  • Luis Felipe – 2 jogos
  • Gualberto – 1 jogo

 

Importante ressaltar que é difícil comparar qualquer situação do elenco de 2011 com a equipe atual do Palmeiras. O clube vivia uma situação de crise financeira e tinha um elenco mais enxuto em relação à qualidade. As categorias de base também viviam um cenário completamente diferente. O setor era gerenciado ainda por conselheiros do clube, a estrutura e o investimento na base eram menores que atualmente. O Palmeiras B ainda existia e não conseguia entregar o que se esperava de um projeto de transição.

Mudanças no setor a pedido de Felipão

As críticas de Felipão às categorias de base do clube ajudaram a promover algumas mudanças no setor. No fim de 2010, o Palmeiras contratou Candinho para ser coordenador técnico da base. O objetivo era profissionalizar e começar a revelar talentos, como destaca a reportagem da época feita pelo globoesporte:

Por ‘agrado’ a Felipão, Palmeiras dá atenção à base e tenta revelar joias

Clube chama experiente coordenador para garimpar talentos e diz que terá mais jogadores no time de cima em 2012.

Em 2012, ainda sob comando de Candinho, a base passou a utilizar o mesmo esquema tático que o técnico utilizava no time principal, conforme relata a reportagem do Estadão:

Base do Palmeiras segue o esquema tático de Felipão

O esquema tático utilizado por Luiz Felipe Scolari no Palmeiras, bastante defensivo, pode não agradar a torcida alviverde, mas é o que vem sendo utilizado também nas categorias de base.

 

A base do Palmeiras atualmente

A reestruturação da base do Palmeiras, no entanto, não passou pelas mãos de Felipão e só foi efetivamente realizada em 2013, quando Scolari já estava no comando da Seleção Brasileira. Algumas mudanças chaves:

  • Extinção do Palmeiras B
  • Criação de categorias de base intermediárias as principais: Sub-14 e Sub-16
  • Integração com o futsal
  • Sub-11 e Sub-13 começaram em 2008.
  • Aumento do número de olheiros
  • Maior investimento na profissionalização da base

O Palmeiras tem recebido retorno dessas mudanças nos últimos anos. Em 2017, o clube chegou a final do estadual em todas as categorias, desde o sub-11 até o sub-20. (Campeão Sub-11, Sub-15 e Sub-20). O Palmeiras também é a equipe que mais tem cedido atletas as categorias de base da seleção.

Ainda que com perdas lamentadas e questionáveis no quesito de retorno técnico para a equipe principal, o Palmeiras tem entrado na lista de clubes formadores. Além de Gabriel Jesus, jogadores com passagem na base do clube estão em mercados internacionais significativos:

 

Felipão, portanto, encontra um novo cenário e uma grande oportunidade de revelar novos jogadores. Dos atletas da base com quem trabalhou entre 2010 e 2012, apenas aquele em que Scolari mais apostou conseguiu ter uma carreira estável. Gabriel Silva, hoje com 27 anos, é titular no Saint Etienne, da França.

Atualmente, há 3 jogadores integrados ao time profissional com menos rodagem profissional pelo Palmeiras: Vitinho, Artur e Pedrão. Outros atletas Sub-20 já tiveram oportunidade de jogar e treinar com o time principal como Papagaio e Yan.

 

Felipão e a base em outras equipes

Em sua última passagem pelo Grêmio (2014/2015), Felipão lançou alguns atletas que vieram a ter grande destaque no tricolor gaúcho. Foi ele quem deu as primeiras oportunidades para Walace, Arthur e Pedro Rocha. No entanto, é importante ressaltar que não foi com o técnico que eles tornaram-se titulares absolutos e grandes nomes da equipe.

Também não há como negar a força do Grêmio na integração de atletas da base com o time principal. A utilização dos jogadores faz parte da cultura do clube independente do técnico no comando.

Felipão ainda apostou em outros nomes do Grêmio que não tiveram o mesmo sucesso que os já citados, como Yuri Mamute e Junior Tavares.

Esta matéria fala um pouco da utilização de alguns atletas por Felipão e seu sucessor Roger Machado:

Um ano de Roger Machado no Grêmio. Veja quem subiu ou desceu no elenco. 

A relação com Roger Machado é curiosa. Além de Roger começar a carreira como técnico após a demissão de Felipão com o Grêmio e agora estarem em situações opostas, foi Scolari que lançou o então lateral esquerdo do tricolor gaúcho no time profissional em 1993.

 

E vocês? Acham que a chegada do Felipão pode mudar a utilização da base?

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